{"id":20,"date":"2025-04-19T18:57:07","date_gmt":"2025-04-19T21:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/?page_id=20"},"modified":"2025-06-09T12:14:20","modified_gmt":"2025-06-09T15:14:20","slug":"depoimentos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/depoimentos\/","title":{"rendered":"Depoimentos"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-page\" data-elementor-id=\"20\" class=\"elementor elementor-20\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6081ca0 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-parent\" data-id=\"6081ca0\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-287ba71 e-con-full e-flex wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no e-con e-child\" data-id=\"287ba71\" data-element_type=\"container\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5f1d5c2 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"5f1d5c2\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h1 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Carla\u0303o por Ina\u0301cio Arau\u0301jo<\/h1>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6106e3e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6106e3e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>&#8220;Carlos Reichenbach foi um caso raro, talvez \u00fanico, de cineasta que amava mais o cinema do que seus pr\u00f3prios filmes. Ele era alto, bem acima da m\u00e9dia dos brasileiros na \u00e9poca, e tamb\u00e9m muito forte, corpulento. Visto \u00e0 dist\u00e2ncia parecia um lutador de boxe (o que por sinal ele tinha sido nos tempos de escola). N\u00e3o sabia n\u00e3o ser gentil. \u00c0s vezes, andar uma quadra em sua companhia podia levar um tempo enorme. Para cada pessoa que o abordava tinha uma palavra, uma explica\u00e7\u00e3o, respondia a d\u00favidas, esclarecia alguma coisa sobre cinema. Uma vez estava com ele em frente \u00e0 antiga Sala Cinemateca, em Pinheiros, quando apareceu Zulmira Ribeiro Tavares, que ficou muito conhecida como autora do romance \u201cO Nome do Bispo\u201d, mas sempre foi muito ligada a Paulo Emilio Sales Gomes. Ela havia escrito uma cr\u00edtica sobre \u201cLilian M\u201d, o filme do Carl\u00e3o que sa\u00edra em 1974. Haviam se passado uns dez, talvez doze anos, mas Zulmira fez quest\u00e3o de se desculpar pela cr\u00edtica, onde julgava ter falado mal do filme. Ela pedia desculpas verdadeiramente, acredito que tivesse mudado mesmo de opini\u00e3o. Pedia desculpas a n\u00f3s dois. Eu disse que s\u00f3 havia montado o filme. Mas ela estendia as desculpas a mim tamb\u00e9m. Zulmira era uma raridade: t\u00e3o gentil e educada quanto Carl\u00e3o.<\/p><p>O apelido no aumentativo vinha de seu tamanho, \u00e9 evidente. Por isso, quando fui pela primeira vez \u00e0 casa do Carl\u00e3o, me surpreendi que l\u00e1 ele n\u00e3o era Carl\u00e3o, e sim Carlinhos. Assim o chamava sua m\u00e3e, dona Lula, assim o chamaria depois sua esposa, Lygia. Quando escrev\u00edamos um roteiro em conjunto, eu costumava chegar na casa dele l\u00e1 pelas 9 ou 10 da noite. Quase sem perceber, come\u00e7ava uma conversa. Sobre filmes, invariavelmente. Ela seguia. Ele conversava e fumava. Eu tamb\u00e9m, mas menos. Come\u00e7\u00e1vamos em geral por algum Samuel Fuller, seguia pelo Sganzerla, depois entravam os projetos, os amigos, a \u00faltima aprontada do Jairo Ferreira, n\u00e3o importa. Carl\u00e3o gostava de gostar de filmes. \u00c0s vezes demais. Eu reclamava: \u201cP\u00f4, Carl\u00e3o, esse n\u00e3o, esse n\u00e3o d\u00e1\u201d. Ele ria. Em geral defendia o filme. \u00c0s vezes eu concordava, outras vezes n\u00e3o, de vez em quando ele \u00e9 que concordava comigo. Desses encontros levo alguns postulados luminosos que ele costumava retomar. Um deles: se todo mundo fala bem de um filme, ou \u00e9 genial mesmo ou voc\u00ea sai pensando que n\u00e3o \u00e9 tudo isso. Se todo mundo fala mal \u00e0s vezes a gente vai l\u00e1 e v\u00ea o contr\u00e1rio.<\/p><p>Um outro \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o mais profunda do que parece sobre o pa\u00eds: \u201cO p\u00fablico vai ver filme brasileiro quando o pa\u00eds vai bem; quando entra em crise, n\u00e3o vai\u201d. N\u00e3o estava falando de falta de dinheiro ou algo do tipo, e sim da rela\u00e7\u00e3o de estima pelo Brasil nos momentos melhores e de certo desprezo nos maus momentos. E isso se relaciona diretamente com o cinema, porque \u00e9 o que mostra, de maneira implac\u00e1vel, o pa\u00eds que somos, o que pode ser detest\u00e1vel ou ador\u00e1vel nele, em sua cultura, nas pessoas&#8230;&#8221;<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-3d37a92 elementor-align-left elementor-widget elementor-widget-button\" data-id=\"3d37a92\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"button.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-button-wrapper\">\n\t\t\t\t\t<a class=\"elementor-button elementor-button-link elementor-size-sm\" href=\"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/Carlao%20por%20Inacio%20Araujo.pdf\" target=\"_blank\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-content-wrapper\">\n\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-icon\">\n\t\t\t\t<svg aria-hidden=\"true\" class=\"e-font-icon-svg e-fas-file-download\" viewBox=\"0 0 384 512\" xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\"><path d=\"M224 136V0H24C10.7 0 0 10.7 0 24v464c0 13.3 10.7 24 24 24h336c13.3 0 24-10.7 24-24V160H248c-13.2 0-24-10.8-24-24zm76.45 211.36l-96.42 95.7c-6.65 6.61-17.39 6.61-24.04 0l-96.42-95.7C73.42 337.29 80.54 320 94.82 320H160v-80c0-8.84 7.16-16 16-16h32c8.84 0 16 7.16 16 16v80h65.18c14.28 0 21.4 17.29 11.27 27.36zM377 105L279.1 7c-4.5-4.5-10.6-7-17-7H256v128h128v-6.1c0-6.3-2.5-12.4-7-16.9z\"><\/path><\/svg>\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<span class=\"elementor-button-text\">texto completo - PDF<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/span>\n\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla\u0303o por Ina\u0301cio Arau\u0301jo &#8220;Carlos Reichenbach foi um caso raro, talvez \u00fanico, de cineasta que amava mais o cinema do que seus pr\u00f3prios filmes. Ele era alto, bem acima da m\u00e9dia dos brasileiros na \u00e9poca, e tamb\u00e9m muito forte, corpulento. Visto \u00e0 dist\u00e2ncia parecia um lutador de boxe (o que por sinal ele tinha sido nos tempos de escola). N\u00e3o sabia n\u00e3o ser gentil. \u00c0s vezes, andar uma quadra em sua companhia podia levar um tempo enorme. Para cada pessoa que o abordava tinha uma palavra, uma explica\u00e7\u00e3o, respondia a d\u00favidas, esclarecia alguma coisa sobre cinema. Uma vez estava com ele em frente \u00e0 antiga Sala Cinemateca, em Pinheiros, quando apareceu Zulmira Ribeiro Tavares, que ficou muito conhecida como autora do romance \u201cO Nome do Bispo\u201d, mas sempre foi muito ligada a Paulo Emilio Sales Gomes. Ela havia escrito uma cr\u00edtica sobre \u201cLilian M\u201d, o filme do Carl\u00e3o que sa\u00edra em 1974. Haviam se passado uns dez, talvez doze anos, mas Zulmira fez quest\u00e3o de se desculpar pela cr\u00edtica, onde julgava ter falado mal do filme. Ela pedia desculpas verdadeiramente, acredito que tivesse mudado mesmo de opini\u00e3o. Pedia desculpas a n\u00f3s dois. Eu disse que s\u00f3 havia montado o filme. Mas ela estendia as desculpas a mim tamb\u00e9m. Zulmira era uma raridade: t\u00e3o gentil e educada quanto Carl\u00e3o. O apelido no aumentativo vinha de seu tamanho, \u00e9 evidente. Por isso, quando fui pela primeira vez \u00e0 casa do Carl\u00e3o, me surpreendi que l\u00e1 ele n\u00e3o era Carl\u00e3o, e sim Carlinhos. Assim o chamava sua m\u00e3e, dona Lula, assim o chamaria depois sua esposa, Lygia. Quando escrev\u00edamos um roteiro em conjunto, eu costumava chegar na casa dele l\u00e1 pelas 9 ou 10 da noite. Quase sem perceber, come\u00e7ava uma conversa. Sobre filmes, invariavelmente. Ela seguia. Ele conversava e fumava. Eu tamb\u00e9m, mas menos. Come\u00e7\u00e1vamos em geral por algum Samuel Fuller, seguia pelo Sganzerla, depois entravam os projetos, os amigos, a \u00faltima aprontada do Jairo Ferreira, n\u00e3o importa. Carl\u00e3o gostava de gostar de filmes. \u00c0s vezes demais. Eu reclamava: \u201cP\u00f4, Carl\u00e3o, esse n\u00e3o, esse n\u00e3o d\u00e1\u201d. Ele ria. Em geral defendia o filme. \u00c0s vezes eu concordava, outras vezes n\u00e3o, de vez em quando ele \u00e9 que concordava comigo. Desses encontros levo alguns postulados luminosos que ele costumava retomar. Um deles: se todo mundo fala bem de um filme, ou \u00e9 genial mesmo ou voc\u00ea sai pensando que n\u00e3o \u00e9 tudo isso. Se todo mundo fala mal \u00e0s vezes a gente vai l\u00e1 e v\u00ea o contr\u00e1rio. Um outro \u00e9 uma observa\u00e7\u00e3o mais profunda do que parece sobre o pa\u00eds: \u201cO p\u00fablico vai ver filme brasileiro quando o pa\u00eds vai bem; quando entra em crise, n\u00e3o vai\u201d. N\u00e3o estava falando de falta de dinheiro ou algo do tipo, e sim da rela\u00e7\u00e3o de estima pelo Brasil nos momentos melhores e de certo desprezo nos maus momentos. E isso se relaciona diretamente com o cinema, porque \u00e9 o que mostra, de maneira implac\u00e1vel, o pa\u00eds que somos, o que pode ser detest\u00e1vel ou ador\u00e1vel nele, em sua cultura, nas pessoas&#8230;&#8221; texto completo &#8211; PDF<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"elementor_header_footer","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-20","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/20","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/20\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1038,"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/20\/revisions\/1038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/siteswebsa.com.br\/carlosreichenbach\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}