Pedro tornou-se a partir da década de 90 um dos maiores nomes do design nacional. Possui várias premiações e participações em algumas importantes mostras de design no mundo, como a Feira Internacional de Móveis de Milão, Bienal de Design na França, em Saint-Etienne, no Brasil, em 3 Bienais nacionais de design, no Instituto Tomie Ohtake e no Museu da Casa Brasileira.
O designer Pedro Useche está para lançar, em conjunto com a empresa Taedda, um objeto cativante: o cabideiro chamado Árvore Generosa, que será vendido desmontado em componentes.
Projetada para usar uma placa de pinus certificado, cortada em seu aproveitamento máximo, a Árvore tem montagem fácil, exigindo apenas uma chave de fenda. Dois tipos de parafusos e duas cavilhas são os elementos de ligação entre as partes. A expectative é que os compradores façam a montagem com facilidade.
O cabideiro tem forma final que guarda os princípios que a geraram: os recortes, a estrutura em quebra-cabeças, uma marcenaria simplificada e também uma alusão antropomórfica. Talvez lembre um pouco os esquemas de Bruno Munari em seus ensinamentos para desenhar árvores, uma estrutura central que se abre em galhos.
Aqui são galhos inteligentes, mãos francesas que repetem o desenho dos pés, bandejas que se sobrepõem, orifícios que permitem usos diversos. O antropomórfico a que me refiro não é daqueles de mimetizar silhuetas humanas, mas o de perceber os objetos como nossas próteses.
No projeto de Pedro Useche confrontam-se passado e presente de forma curiosa. Os mancebos tradicionais acomodam roupas e acessórios. Esse cabide é sugestivamente mais ‘multitarefas’, como indicam as necessidades do cotidiano contemporâneo. É um móvel de apoio para as tantas coisas que nos acompanham na vida diária, de celulares a escritos, de barras de cereais a óculos, vitaminas, copos, chaves e cartões. O provisório, antes restrito a meia dúzia de itens, marcava o fora e o dentro de casa. Era apenas apoio para chapéus, guarda-chuvas, cachecóis, casacos…
Agora, a vida cotidiana tem maior lastro de provisoriedade, e essa fugacidade ganhou ares de permanência. Nossa vida é permanentemente provisória; não marcamos compromissos com antecedência sem confirmá-los várias vezes nos últimos instantes…
Acumulamos tarefas sempre em atraso. E é para essas jornadas exaustivas e precárias que a Árvore de Useche foi projetada. No entanto, o fato de ser produzido com esta placa de pinus maciço, os recortes da madeira em formatos da marcenaria tradicional (embora o corte seja feito a laser) nos faz percebê-lo como um móvel de estimação, antigo, sólido. Daí a estranha curiosidade que provoca. Não é daqueles móveis que, readaptados para novas funções, guardam na casca a lembrança do que já foram, como geladeiras antigas transformadas em bares, baús que viram bancos e outros tipos de arranjos que decoradores fazem em nome da conservação de uma memória perdida.
A Árvore é claramente contemporânea, mas o projeto soube tirar partido desse sabor de passado que o pinus e a marcenaria simples imprimem.
O nome Árvore Generosa foi sugerido pelo livro infantil do mesmo nome, do grande cartunista Shel Silverstein.
Ethel Leon, 26.02.2013
Um enorme exército de operários-designers espalha-se pelo país, carregando variações dos componentes da poltrona Mole, a primeira peça criada por Sérgio Rodrigues em 1958 que conquistou, em 1961, o primeiro lugar no Concurso Internacional do Móvel em Milão, Itália, prêmio até então nunca recebido por um brasileiro.
Pedro Useche, da Useche Móveis, decompôs para PROJETO DESIGN a mais famosa poltrona de Rodrigues e criou, com o mesmo equilíbrio e força estética marcantes, desenhos que mostram a personalidade individual dos elementos que a compõem: pés torneados de madeira, executados em encaixes de pinos; braços robustos e soltos; o assento do tipo almofadão, produzido nos dois lados.
Nos traços lúdicos de Useche, a “poltrona que não foi mole” – maratona segundo frase do arquiteto Ottó Stupakoff, para quem Rodrigues conquistou lugar de honra na cena do design internacional – é a imagem da poltrona Mole em um campo de batalha, onde o exército da balança instável, mas firme, a cadeira de balanço reinterpretada em couro, e um guerreiro anônimo defendem a vitoriosa poltrona, símbolo da identidade cultural brasileira.
O desconstrutivismo de Useche revela os elementos que, na sua multiplicidade, formam um conjunto coeso, esteticamente forte e estruturalmente bem resolvido: é um exercício de criação que reforça a consistência do desenho original de Sérgio Rodrigues, em que cada elemento se transforma em unidade e, ao mesmo tempo, em parte essencial de um todo que forma uma estrutura única, com caráter simbólico.
A desconstrução, ao mesmo tempo que preserva a essência do projeto e o espaço denso das salas de televisão, dá, ao mesmo, mágicas poltronas aladas.
Evelise Grunow, Editora Executiva, Revista Projeto
Fonte: Revista Projeto n.275
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